ListaG

Esta candidatura recorre ao nosso trabalho e empenho porque acreditamos desde logo que devemos gerir com prudência aquele que é o património de todos.

As linhas de acção (os Grandes Desígnios) tiveram em conta os Estatutos em vigor. Nunca iremos ultrapassar o que nos é permitido, se bem que concordemos que os Estatutos têm de ser revistos e esse é um dossier que nos preocupa e que vamos assumir. Para tal, criaremos um grupo de trabalho plural para apresentar um projecto transparente e funcional aos associados; assim, obtemos uns estatutos modernos e claros na sua interpretação.

Colocaremos a funcionalidade do cão de raça ao serviço da sociedade, depois de uma ampla discussão entre intervenientes credenciados.

• Temos consciência de que a caça tem regulamentos e regras próprias e também Federações com estatuto próprio. No que diz respeito à Canicultura organizada, a nossa actuação restringe-se à regulamentação de provas funcionais (cinotécnicas), ou seja, de aptidão à prática da caça. Assim, entendemos que devemos ter uma liderança partilhada e forte.

• Ouviremos todos os clubes de Raça ligados às raças de caça, mesmo que não a pratiquem, mas possam a vir fazê-lo no futuro. Tal determinação deve-se ao facto de querermos perceber as falhas que se têm sentido, para se organizar da melhor forma a respectiva comissão.

• Iremos abordar algumas questões mais pormenorizadamente no programa detalhado, mas adiantamos já que algumas das nossas preocupações principais são a formação, nomeadamente de Juízes, e o futuro do cão de caça.

• Porém o objetivo principal é discutir a funcionalidade do cão, nomeadamente num futuro cada vez mais incerto, daí considerarmos essencial expandir os testes funcionais e alargá-los a outras raças.

Deixamos aqui o nosso propósito de investir mais, humana e financeiramente, na caça e nas outras modalidades.

Na nossa óptica, esses apoios têm de ser proporcionais ao esforço e à distância que as suas equipas tenham de percorrer.

Queremos inequívoca paridade entre modalidades

• Serão ouvidos as escolas filiadas e praticantes credenciados que acolhem e praticam todas as modalidades realizadas com o CÃO, para melhor compreender as falhas que têm sentido e, em conjunto, liderar o seu destino.

• Promover junto do grande público as actividades em conjunto com o Cão. 

Cada vez mais o público em geral as procura como forma de estabelecerem ligação com os seus companheiros cães. Compete-nos em conjunto explicá-las, não só pelo divertimento e ligação que nos proporcionam, mas também pela manutenção da respectiva funcionalidade subjacente à sua prática.

• Promover a identificação e aceitação de desportos caninos emergentes como forma de atraír o grande público para as actividades cinófilas e diversificar o leque de desportos disponíveis.

• Serão ouvidos os vários intervenientes, Juízes, Comissários, Condutores e figurantes, entre outros, com vista à optimização e expansão da sua formação.

Deixamos aqui o nosso propósito de investir mais, humana e financeiramente, nas várias modalidades.

Na nossa óptica, esses apoios têm de ser proporcionais ao esforço e à distância que as suas equipas tenham de percorrer.

Queremos inequívoca paridade entre modalidades

• Não as apagar da nossa memória colectiva… haverá maior desígnio?!

• Recuperar e implementar ideias saídas das Jornadas das Raças Portuguesas e do Congresso do Cão de Água Português, que consubstanciam sugestões comuns não só desta candidatura como também dos respectivos clubes de raça de então.

• Readaptar as nossas Raças, todas raças de trabalho, às exigências do séc. XXI -guarda, companhia, desporto, etc.

• Promovê-las juntos ao grande público, em particular as menos procuradas e menos conhecidas, com a intenção de as equivaler. 

Dois dos elementos desta candidatura estão inequivocamente ligados às Raças Portuguesas, e a elas se devem alguns dos grandes eventos de divulgação no país e no mundo.

A candidata a Presidente esteve presente em televisões, congressos, Faculdade de Medicina Veterinária Vasco da Gama, GNR, etc., para divulgar as raças portuguesas.

É autora dos programas das Jornadas das Raças Portuguesas e do Congresso do Cão de Água Português, e co-autora do Livro das Raças Portuguesas, entre tantas outras acções, sempre com a perpectiva das perpetuar.

O mesmo tem sido evidente nas colaborações que a nossa candidata a Vice-Presidente tem prestado, bem como na investigação técnica e aplicada relativa às raças portuguesas de cães de gado e de pastoreio.

Participou em inúmeros encontros e eventos de divulgação por todo o país, dando a conhecer várias nossas raças nacionais aos mais diversos tipos de público, em particular o associado a funcionalidade dos nossos cães.

• Elaboração imediata de um inquérito, colocando algumas questões que preocupam os canicultores, a ser distribuído, respondido e sumarizado num período de 6 meses.

• Quando ganharmos as eleições, esta matéria será tratada por uma comissão não obrigatória de “apoio ao canicultor”

Aproveitar as valências de todos ao serviço da canicultura.

Como tal, decidimos, depois de muita ponderação, constituir, através de convite aberto, as Comissões numa perspectiva de inclusão - excluir quem não vota em nós seria um erro irremediável para a canicultura.

• Colocar à disposição dos sócios as instalações para alguns eventos de entretenimento, técnicos e outros.

• Solicitar aos sócios a sua colaboração, nomeadamente através de partilha dos seus espólios, para a elaboração e consolidação de património cinotécnico ao serviço de todos os sócios.

• Desenvolver uma campanha para novos sócios, não desmotivando os já existentes.

Não agiremos senão sob o respeito que os Estatutos nos merecem, mas defendemos a respectiva revisão - pelo menos em matéria desactualizada, por exemplo, na área política através da limitação de mandatos, na área associativa revendo o processo eleitoral, no funcionamento e competências da Direcção, mas fundamentalmente no versado no artigo 2.º.


Outras medidas planeadas:

• Repensar o organigrama interno (Direcção Executiva e Serviços Administrativos), através de delegações pontuais e/ou horários diferenciados na Sede e na delegação do Porto, que sirvam os legítimos interesses de todos os associados e outros.

• Repensar o espaço físico e património do CPC, colocando-os ao serviço dos associados.

• Remodelação total, no conceito e forma, do denominado CPC Jovem, com regras bem definidas.

• Elaborar um regulamento claro que balize as condições subjacentes ao pedido de filiação de clubes, complementando o capítulo VI – Filiações e Reconhecimentos dos actuais Estatutos.

• Organizar e disponibilizar uma videoteca e uma biblioteca física e on-line, esta disponível ao público, começando pela inventariação do património já existente.

• Implementar uma publicação periódica de temas de relevo para a canicultura e cinotécnica.

• Formação contínua e diversificada não só para Juízes, comissários, outros protagonistas, condutores, figurantes, etc., mas também abrindo-a ao público em geral.

• Solicitar oportunamente um grande evento, para cada modalidade federada, de nível europeu ou mundial, provando a capacidade inegável de o organizarmos com a dignidade inerente.

• Criação e divulgação de merchandising atractivo sobre o cão, o cão de raça e o Clube Português de Canicultura

Esta candidatura tem plena consciência que há matérias que não são da sua competência e que prometer tutelá-las não passa de um perigoso pântano. No entanto está decidida a estabelecer vários protocolos com entidades responsáveis nessas áreas:

• Na área político/social procurará estabelecer acordos de actuação com os Ministérios da Agricultura, Ambiente e da Acção Climática, Administração Interna, Defesa Nacional, Educação.

• Na área da formação e conhecimento, iremos protocolar com instituições de ensino, devidamente creditadas, acções concretas de divulgação do CÃO. Iremos ainda desenvolver esforços para a inclusão de conteúdos que versem, entre outros, as “Raças Caninas Portuguesas", em cursos relacionados com a área, como Medicina Veterinária, Engenharia Zootécnica ou Agronomia.

• Na área da segurança iremos protocolar com as forças militares e militarizadas e outras, Bombeiros, Protecção Civil caso as mesmas sintam a utilidade desses protocolos. Esses protocolos conterão matéria de interesse social.

• Seremos parceiros, dentro das nossas atribuições, das instituições que tutelam o abandono animal, principalmente o cão.

• Áreas como o bem-estar, comportamento, terapias e outras que digam respeito à mais valia que o cão signifique na sociedade civil, serão protocoladas com organismos vocacionados e reconhecidos nessas áreas sensíveis. Trata-se de matéria que não é da nossa competência estatutária mas para a qual reconhecemos a sua inequívoca importância.

• Ainda sobre protocolos entretanto estabelecidos, deverão os mesmos ser reformulados e optimizados - Clubes de Raça, Raças Portuguesas, organizações de eventos, entre outros.

• Delinear outros protocolos – patrocínios – e estabelecer parcerias na área da organização de eventos, nunca nos restringindo exclusivamente a empresas de produtos ligados à área animal.

Revelador do nosso empenho nas Raças Portuguesas, divulgamos aqui uma prosa-poética da candidata à Presidência, jácom alguns anos, que demonstra a preocupação comum a esta candidatura.


Vim dizer-vos o que vi… tinha de o fazer…

Deitei-me tarde como sempre faço quando viajo;

Tinha acabado de ver aqueles cães parados a apontar “não sei para onde, para quem ou até para quê…” e parei. Perguntei àquele janota de espingarda ao ombro que se encontrava a fumar uma cigarrada junto ao letreiro que rezava “ZONA DE CAÇA”, qual era aquele bichito avermelhado de nariz empinado – é um Perdigueiro Português!!! Respondeu com ar enfadado; pensei logo, eu devia saber, afinal eu só conhecia e de longe aqueles “coelheiritos” ou melhor o Podengo Português que eu ignorei desde sempre poder três tamanhos e até dois tipos de pêlo.

 E lá continuei Minho acima, cheguei ao lusco-fusco, alumiada por alguns faróis vivos de olhar atento,  àquela paisagem única tão apreciada por quem ousou registá-la através de uma escrita única, da qual é exemplo, Camilo, sim, Camilo Castelo Branco. Soube logo que tinha chegado a Castro Laboreiro, aqui e ali havia um cão, um Cão de Castro Laboreiro que soltava um ladrido único de tom ameaçador, mas ao mesmo tempo, familiar e único.

Dormi a contar ovelhinhas, as ovelhinhas do Nordeste Transmontano, sonhei e no meu sonho vi aqueles cães imponentes de andar calmo, mas seguro a conduzir e a proteger os seus rebanhos, os rebanhos das ovelhinhas dos meus sonhos. E no meu sonho soube que aquele era o Cão de Gado Transmontano, do qual se falava há muito, mas que poucos conheciam. 

Nem no meu sonho eu quis confusões…eu conhecia o meu amigo de olhar nostálgico e sereno das minhas incursões pela Estrela e pela Gardunha, o meu amigo Cão da Serra da Estrela que tão bem cumpria a sua função de guardador das ovelhas que lhe estão confiadas. 

 Acordei!!!

Estremunhada e já com o amanhecer para além das cortinas da janela do quarto, decidi pôr-me a caminho, tinha muita estrada a fazer; ia visitar um amigo do Alentejo que não via há anos.

Não sabia é que iria ser recebida por aquele magnifico cão, um Rafeiro do Alentejo, disse-me orgulhosamente o meu amigo Manel ser o seu novo “guardião”, sim pois conhecia melhor os limites da sua propriedade do que ele próprio e mais, disse-me, mas tenho também uns Cães da Serra D’Aires, conheces? Os cães-macaco, macaco? Tirei-lhes as repas para trás e percebi!!! Fazem-me um trabalhaço com o meu gado e tu vais ver, disse o Manel.

Almoçamos já tarde pois, eu já havia contado tantos kilómetros desde que deixara o Alto Minho… o Rafeiro olhava-nos de longe com a serenidade que o Alentejo sugere e pude ver os tais cães mais pequenotes, mas mais enérgicos a rodearem as vacas do seu dono para provarem que elas não se perdem nem tresmalham…

O pôr-do-sol algarvio é lindo, antes de dormir passei pela praia e vi aquele banhista, surfista, eu sei lá… sair das águas serenas, até perceber aqueles pontos negros, não eram todos negros, que saiam a correr, a sacudir-se, felicíssimos e aí reconheci-os… alguém está a disfrutar da acalmia do mar com os seus Cães de Água.

 Ia apanhar o avião no dia seguinte mas, na recepção daquele aldeamento que conheço há mais de 40 anos e onde me conhecem, disseram-me: -“Já percebi que gosta de cães; antes de ir para o aeroporto, passe por Faro, pelo interior, aquela parte mais pedregosa e mais desconhecida… vai ver um cão, aliás vários cães que se parecem, mas é um cão novo – um tal do Barrocal Algarvio”. E eu vi… e vi muitos.

Por fim lá apanhei o avião, rumei a Ponta Delgada e da janela vi uns cães de orelhas redondas no meio das vacas. Fiquei baralhada porque ao sobrevoar a Ilha Terceira também vira alguns no meio das vacas, de outras vacas, mas eram diferentes, tinham barbas. Quando tive oportunidade perguntei, afinal que cães eram aqueles tão iguais no trabalho e tão diferentes no aspecto?!!!  Ah, pois eram o Barbado da Terceira e aqui o Cão de Fila de S. Miguel.

 Em tão pouco tempo, vi tanto… tanto de nosso… por isso, vim dizer-vos o que vi; tinha de o fazer!!!

Divulgamos também passos importantes na preservação das Raças Portuguesas, por nós já iniciados.


Nos finais de 2019 solicitei a uma Bancada Parlamentar uma reunião para sensibilizar o nosso Parlamento para duas questões que me preocupam…uma delas será tornada pública oportunamente.

Hoje, porém, venho apenas informar que algumas das preocupações com as Raças Portuguesas foram por mim assumidas há bastante tempo. Desde a proposta das Jornadas até à formação para Juízes das RP, nunca desisti.

Nesse primeiro encontro além de bem recebida foi-me proposto apresentar um trabalho que documentasse as Raças Portuguesas, a sua existência e a sua funcionalidade.

A pandemia tem dificultado a discussão e a negociação desta proposta, mas ela foi entregue em Julho passado, quando fui de novo muito bem recebida e, a partir de então, temos estado em contacto, conscientes das prioridades dos nossos Parlamentares.

E digo temos porque um projecto que começou por ser pessoal, com o apoio fotográfico da Ana Catarina Alves e da Carla Cruz, é agora da candidatura “(Re)Pensar Canicultura”.

E por ele vamos lutar, conscientes de que está bem encaminhado.

Este trabalho que me foi pedido começava assim:

“Preocupante é a pouca ou nenhuma importância que se dá às Raças Portuguesas, seculares, que resistiram à mudança dos costumes de vida e à deslocação das populações. 

Propomos que todas elas sejam consideradas Património Cultural – se não entenderem enquadrá-las com outro estatuto – sob pena de desaparecerem das nossas memórias enquanto país.

Se, por motivos de mudança de vida e costumes, algumas desaparecerem fisicamente, será nosso dever registá-las para memória futura. 

É obrigação de qualquer País cuidar do seu património material e imaterial.”

Esta é uma preocupação que me/nos guia a nossa visão para as raças portuguesas!

Por: Maria Amélia Taborda